
A limpeza do pulverizador após cada uso é uma etapa fundamental no planejamento das aplicações de defensivos agrícolas. Quando resíduos ficam no tanque, nas mangueiras, nos filtros, nas pontas e em outros componentes, eles podem se misturar à próxima calda — um processo chamado de contaminação cruzada. Dependendo dos produtos envolvidos, essa situação pode causar fitotoxicidade, comprometer a eficiência do tratamento e danificar o equipamento. A orientação é de Fabio Kagi, gerente de Assuntos Regulatórios do Sindiveg, e Isabela Rivato, bióloga e analista de Uso Correto e Seguro da entidade, em artigo sobre boas práticas de aplicação e convivência entre agricultura e apicultura. Os especialistas alertam que, se a operação anterior utilizou inseticida e a seguinte ocorrer durante o florescimento, as abelhas podem ser expostas a resíduos que não estavam previstos naquela aplicação. Para evitar isso, eles descrevem uma sequência de três enxágues: no primeiro, a água circula pelo sistema por cerca de 20 minutos e é drenada pelos bicos; no segundo, pontas, filtros e componentes são retirados e lavados separadamente com escova de cerdas plásticas, água corrente e detergente neutro; no terceiro, o reservatório recebe nova água limpa para remoção dos resíduos restantes, incluindo a limpeza externa do equipamento. A água de lavagem não pode ser descartada no solo ou em cursos d'água — deve ser coletada em área com piso impermeável e receber destinação adequada. Poças com resíduos também representam risco às abelhas, que podem buscá-las para se hidratar. O Sindiveg disponibiliza treinamentos on-line gratuitos, com certificado, sobre uso correto de defensivos e convivência entre agricultura e apicultura. O programa Colmeia Viva® também oferece manuais e guias de boas práticas voltados à proteção dos polinizadores no campo.
Fonte: Portal Agroneg.




