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Notícias/SAÚDE29/09/2026· KF News

Microchips cerebrais usam IA para devolver movimento a pacientes com paralisia

Foto: Divulgação/Metropoles - Saúde

Microchips implantados no cérebro estão ajudando pessoas com tetraplegia, esclerose lateral amiotrófica (ELA) e lesões medulares graves a controlar braços robóticos, cursores e dispositivos digitais usando só o pensamento. A tecnologia se chama Interface Cérebro-Computador, conhecida pela sigla BCI, e já saiu do campo da ficção científica para os laboratórios de neurotecnologia.

O neurocirurgião Eduardo Waihrich, do Hospital Brasília, explica que o chip é colocado na região do cérebro responsável por imaginar o movimento. O modelo da empresa americana Neuralink usa microfilamentos que perfuram o tecido cerebral para captar a atividade elétrica. Já pesquisadores chineses desenvolveram uma abordagem diferente, posicionando os eletrodos sobre a dura-máter, a membrana que recobre o cérebro, sem perfurá-lo.

As ondas cerebrais captadas são enviadas a um computador, que usa algoritmos de inteligência artificial para interpretá-las e transformá-las em comandos reais. Mas instalar o chip não é suficiente: o paciente precisa retreinar o próprio cérebro com fisioterapia para aprender a controlar a prótese com precisão.

A cirurgia exige posicionamento milimétrico dos eletrodos, desviando de vasos sanguíneos vitais. No pós-operatório, o organismo reage ao implante como se fosse um corpo estranho, inflamando a região, num processo chamado gliose. O neurocirurgião André Meireles Borba, da Clínica Delaborba, aponta esse processo como um obstáculo real. Waihrich reforça que a gliose vai reduzindo a qualidade do sinal com o tempo, e relata casos em que o paciente perdeu o sinal em menos de um ano.

Para participar dos ensaios clínicos, o paciente precisa ter déficit motor grave e estável, e as áreas do cérebro responsáveis pelos comandos precisam estar íntegras e funcionando. No Brasil, os procedimentos comerciais autorizados ainda se limitam à estimulação cerebral profunda para distúrbios do movimento, enquanto as novas interfaces BCI avançam na pesquisa acadêmica.

Fonte: Metropoles - Saúde