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Notícias/AGRONEGÓCIO02/10/2026· KF News

Preço mundial dos alimentos bate maior nível em quase 4 anos puxado por cereais, açúcar e óleos vegetais

Foto: Divulgação

O Índice de Preços dos Alimentos da FAO, organização da ONU que acompanha as cotações internacionais de grandes grupos de commodities, chegou a 136,0 pontos em setembro. É o nível mais alto desde novembro de 2022. A alta foi de 1,5% frente a agosto e de 5,8% na comparação com setembro do ano passado. Ainda assim, o indicador permanece 15,1% abaixo do pico histórico registrado em março de 2022.

Os cereais foram o principal motor da alta. O índice do grupo chegou a 122,8 pontos, com crescimento de 5,1% no mês e de impressionantes 17,2% em 12 meses. O trigo ficou 6,3% mais caro, atingindo o maior nível desde agosto de 2023, pressionado por dificuldades de transporte na região do Mar Negro e tempo seco em partes dos Estados Unidos antes do plantio do trigo de inverno. O milho subiu 5,6% e bateu o maior patamar em mais de três anos, com perspectivas de colheita abaixo do esperado nos EUA e menor disponibilidade brasileira para exportação. Sorgo e cevada também subiram, 13,7% e 3,9%, respectivamente. O arroz avançou 1,4%.

O açúcar teve uma das maiores altas do mês, com o índice chegando a 114,0 pontos, alta de 6,1% — a terceira consecutiva. Em 12 meses, a valorização foi de 14,7%. A FAO aponta menor produção esperada na Tailândia, chuvas fracas e fortalecimento do El Niño na Índia, redução de área plantada na União Europeia e dificuldades climáticas no Brasil. No Centro-Sul brasileiro, chuvas fortes prejudicaram a colheita de cana, e a produção de açúcar recuou 41,6% na primeira quinzena de setembro ante o mesmo período do ano anterior.

Os óleos vegetais ficaram em 198,6 pontos, com alta de 0,9% no mês e de 18,3% em 12 meses, puxados pelo óleo de palma, que registrou o quarto mês seguido de valorização. O óleo de girassol recuou pelo terceiro mês consecutivo, enquanto soja e canola ficaram estáveis.

O índice das carnes caiu 1,1%, para 127,9 pontos. Frango e suína puxaram a queda. A carne bovina brasileira, no entanto, teve cotações em alta, apoiadas pela maior demanda dos Estados Unidos. Os lácteos ficaram praticamente estáveis, com queda de apenas 0,1%.

A FAO também atualizou as projeções de produção mundial de cereais para 2026: 2,979 bilhões de toneladas, queda de 2,1% frente a 2025, mas ainda a segunda maior colheita da história. A próxima divulgação do índice está prevista para 6 de novembro de 2026.

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