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Notícias/NEWS30/09/2026· KF News

China rejeita uso da cota do Uruguai pelo Brasil e carne bovina enfrenta tarifa de 67%

Foto: Divulgação

O Brasil atingiu sua cota anual de exportação de carne bovina para a China: 1,1 milhão de toneladas. Com o limite esgotado, a partir de 1º de outubro qualquer remessa acima desse volume passa a pagar uma tarifa total de 67% — resultado da soma do imposto padrão de 12% com a taxa adicional de 55% anunciada pela China em janeiro como medida de proteção à sua pecuária.

Uma alternativa ventilada era aproveitar o saldo da cota não utilizada pelo Uruguai. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, na semana passada, que o país vizinho havia autorizado o Brasil a usar esse excedente. Mas a concordância do Uruguai não basta: quem libera a entrada da carne em seu mercado é a própria China.

Segundo fontes do setor ouvidas pela Reuters, em alerta divulgado pela Safras Consultoria nesta quarta-feira (30), Pequim não autorizou a utilização da cota uruguaia pelo Brasil — nem para 2026, nem para 2027. As mesmas fontes consideram improvável que acordos diretos com outros fornecedores para aproveitar volumes não utilizados recebam o aval chinês. Vale destacar que o Ministério do Comércio da China não se pronunciou publicamente sobre os pedidos brasileiros.

Em maio, segundo o relato atribuído à Reuters, a China já havia rejeitado repetidas iniciativas brasileiras de usar cotas de outros países. Agora, além das condições para os embarques do restante de 2026, o setor acompanha as definições de Pequim para as cotas de 2027.

A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) projeta queda de 10% no volume total das exportações brasileiras de carne bovina em 2026 diante das restrições comerciais. Para os frigoríficos, o cenário exige avaliar a viabilidade dos contratos e a possibilidade de direcionar produção a outros mercados. Para o produtor, o ponto principal é acompanhar como as indústrias responderão: manutenção ou redução do ritmo de compras e possíveis variações de preço entre regiões.

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