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Notícias/SAÚDE29/09/2026· KF News

Estudo da UFRN aponta que negros de baixa renda recebem pior cuidado para diabetes no Brasil

Foto: Divulgação/Drauzio Varella

Um estudo feito por pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, a UFRN, mostrou que pessoas negras de baixa renda com diabetes são as que apresentam maior frequência de cuidados inadequados para a doença no Brasil. A pesquisa foi publicada em agosto deste ano na revista científica PLOS One e usou dados da Pesquisa Nacional de Saúde de 2019. Foram analisadas 6.967 pessoas com 18 anos ou mais que tinham diagnóstico de diabetes. Os pesquisadores usaram 15 perguntas sobre cuidados com a doença, como orientação sobre alimentação, controle de peso, atividade física, exames de hemoglobina glicada e colesterol, encaminhamento para especialistas e exames dos pés e dos olhos. Quem somou até 12 dos 15 pontos foi classificado com baixa adequação de cuidado. No total, 72% dos participantes ficaram nessa faixa. Mas ao cruzar raça e renda, os números subiram: homens negros de baixa renda chegaram a 79,6% e mulheres negras de baixa renda a 79,1% de baixa adequação. A pesquisadora Isabelle Ribeiro Barbosa, professora da pós-graduação em Saúde Coletiva da UFRN e uma das autoras do estudo, afirma que a maior parte dessas pessoas depende totalmente do SUS e que quem tem mais renda consegue recorrer ao setor privado quando o público falha. Ela alerta que a falta de acompanhamento pode levar a complicações sérias como amputações, perda de visão e doenças cardiovasculares, aprofundando ainda mais a vulnerabilidade social dessas pessoas. Um outro estudo, publicado na revista Scientific Reports, mostrou que a participação de pessoas negras entre os internados por diabetes no Brasil aumentou entre 2010 e 2024. Para Barbosa, as políticas de saúde precisam ser universais, mas olhar de forma diferenciada para os grupos mais vulneráveis.

Fonte: Drauzio Varella