
Quatro anos depois do início da guerra, a Ucrânia carrega uma ferida invisível: a saúde mental da sua população está no limite. A Organização Mundial da Saúde, a OMS, estima que 10 milhões de ucranianos sofram com crises psicológicas causadas pelo conflito.
O doutor Jarno Habicht, que atuou como representante da OMS na Ucrânia pelos últimos 8 anos, revela que 1 em cada 5 pessoas que vivem nas áreas afetadas pela guerra relataram algum tipo de condição mental adversa desde o início do conflito. Ele lista os motivos: ameaça constante à vida e à saúde, ataques durante o dia e a noite, sono interrompido, preocupação com familiares que servem nas forças armadas ou vivem no front, e o impacto econômico mais amplo da guerra. "Tudo isso afeta inevitavelmente a saúde mental e o bem-estar das pessoas", explicou o médico.
Os números da OMS são pesados: entre fevereiro de 2025 e fevereiro de 2026, 76% da população ucraniana relatou problemas de saúde mental. Além disso, desde o início da guerra, já foram registrados 3.257 ataques contra serviços de assistência à saúde no país.
O escritor ucraniano Andrei Kurkov também documenta esse peso no livro "Ucrânia: diário de uma guerra", lançado em 2025. Nas cerca de 400 páginas, ele descreve como o conflito passou a impactar o cotidiano e a mente dos ucranianos. Kurkov conta que, depois de quase dois anos de guerra, o próprio sono virou algo ansioso e instável. "Mesmo que nosso corpo não tenha sido capturado pelo inimigo, nossa mente foi", escreveu.
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